Manutenção

Troca de Tensores Rickenbacker

É sempre muito gratificante receber baixistas em nossa oficina.
Enfatizamos bastante os assuntos sobre  guitarras e é o termo mais abordado em nossa comunicação, mas também somos muito fãs de baixistas e contrabaixos.

Recebemos este Rickenbacker 4001 de 1975 com problema nos tensores.

Para quem não sabe, os baixos da série 4000 da Rickenbacker (4000, 4001, 4002, 4003, 4004) possuem dois tensores permitindo um ajuste mais preciso do braço, além de serem instrumentos de braço integral laminado, um grande aliado para a resistência mecânica do instrumento.

O que varia de modelo para modelo dentro dessa série 4000 é o tipo de laminação das madeiras, o material e sistema dos tensores e também a evolução das experiencias com músicos, que permitiu a evolução desses parâmetros. Além de configurações de captadores, peças entre outros detalhes mais técnicos.

Agora que estamos todos alinhados, vamos ao problema no tensor deste modelo em questão, o 4001.

Os tensores já estavam no limite, impedindo o ajuste. Mas, ao abrirmos a “pequena tampa” de acesso, percebemos que um deles estava com uma das roscas quebradas, impossibilitando o manuseio da peça.

Para nossa alegria, sorte e felicidade, ao recebermos o instrumento, recebemos também os novos tensores para instalação. Os tensores são próprios para este modelo, foi comprado “lá fora” e a parte dos trâmites de compras das peças específicas já estavam resolvidas. Greeeeat!
Let´s work!


Em cirurgias mais delicadas que envolvem impactos, pressão, nosso primeiro procedimento é proteger o instrumento de todas as formas possíveis para evitar qualquer outro tipo de problema.

 


Outra curiosidade é que os tensores não estão presos em nada, apenas instalados de fora para dentro em canaletas que percorrem o braço todo. Tanto é que também é possível removê-los pelo final do braço. Mas preferimos tirar pelo headstock, porque achamos que seria mais confortável o manuseio.

 

Utilizamos um alicate de bico para iniciar a remoção, que foi bem tranquila no começo.

 

Colocamos um pedaço de polistireno fino que é maleável e resistente (escolhemos o que estava mais próximo e disponível – uma palheta que cortamos com o cortador de palhetas) para fazer uma espécie de rampa guiando o tensor para fora da cavidade. E foi nesse momento que o tensor começou a dar uma de difícil para sair do braço.

 

Fixamos os tensores no grampo e puxamos com a maior facilidade. Sem pressão, sem força, sem stress, um de cada vez.

 

Tensor 1 removido com sucesso.

 

Cavidades dos tensores sem os tensores antigos.

 

Hora de instalar os novos tensores.

Tensores novos X Tensores antigos extraídos.

Antes de colocar os novos tensores, pressionamos um pouco o braço para que ele ficasse o mais reto possível, pois já havia uma concavidade na própria madeira.
Em seguida, fizemos uma curvatura bem suave nos tensores no sentido contrário para auxiliar na pressão contra o braço e assim conseguirmos qualquer ajuste.

 

A ideia não era colocar o tensor curvado com a intenção de resolver todos os problemas do braço, e sim auxiliar. Por isso curvamos levemente as peças, na mão mesmo, só para facilitar o ajuste posterior.

 


Também passamos cera nos tensores para suavizar a entrada nas cavidades, o que facilitou muito, evitando atritos.

 

Usamos o martelo com batidas leves, para facilitar a instalação dos tensores.

 

Tensores novos posicionados.

 

Tensores novos preparados para o ajuste.

 

Tensores novos ajustados.

 

É muito importante lembrar que esse modelo foi desenvolvido para utilização de cordas flat de baixa tensão. Muitas vezes esse tipo de problema, em que os tensores não dão mais conta de ajustar a curvatura do braço, é provocado pela alteração da configuração do encordoamento.
Também gostaríamos de informar que este foi um procedimento que adequamos a este baixo, com suas determinadas condições. A ideia não é criar uma verdade e dizer que esse é um tutorial para ser seguido em qualquer instrumento nessas configurações, e sim uma forma de compartilhar uma atividade diferente, mostrando como resolvemos este desafio. Com isso esperamos ajudar as pessoas a entenderem seus instrumentos, pelo menos um pouquinho, e também mostrar formas diversas de resolver determinados desafios em determinadas situações.
E aí está o baixo, em plena forma, em casa, operando a todo vapor!

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